terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

One decision! An abnormal and almost foolish goal.

During all these years that I’ve writing in this blog, some people ask me to post in English. Usually, those persons understand a little Spanish and /or Portuguese, but they would like to feel the words in a language closer to them.

I stopped of feeding my blog, because I was waiting for the time to achieve the properly and better knowledge of English language. I think that I should start right now, to stimulate the fluency speaking, writing and to lose the fear.

That was a goal. For some people could be a bit silly, but for me, it was very necessary.

Actually, I have been very busy recently and the tiredness has not allowed me to dedicate myself to writing, which is one of my hobbies. I confess, I do not have many, but the few that I recognize to have, give me infinite pleasure and wellness.

I’ll try to preserve some of the marks that characterize my way of expressing, where fancy words do not prevail, but I like to provoke the thought, to make you re-read for comprehension. Perhaps this is one of the reasons that have limited me until today to take this step, which will allow me to reach more people.

Basically, today, this is a sincere and simple homage to someone I love very much, who is far away, but that much sooner than later, the life will unite us again and we will be very happy as we have been during all these beautiful years, for everything what we have created and for our most beautiful creation: Our children.



In a couple days I’ll try to write on real and simple history.

Hope you enjoy it!

I count on your support.

It is very likely that in a few years I will be laughing at my English today.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

VOCÊ NA FRENTE, SEMPRE!

Há uns tempos atrás, depois de mais de 30 anos de engenharia, de participar de incontáveis comissionamentos e pré-operações, pela primeira vez tive que ficar hospedado em um alojamento, que pertence a uma empresa, cujo nome até faz não muitos anos era um pouco extenso e acompanhado de “água com açúcar”, mas que depois decidiu simplificar e ficou só numa palavra, o que lhe daria maior facilidade de pronuncia nas diferentes línguas que a receberiam.

A estratégia de MKT deu certa e o nome, bastante conhecido internacionalmente, torna-se fácil de decorar e repetir por todos.

Hoje, essas quatro letras estão salvando o Brasil, que está submerso em uma crise económica, política, social, institucional, ... moral, sem precedentes, como nunca antes na história deste país.

Confesso não ter  visitado antes um alojamento de obras. Por sorte, sempre fiquei em hotéis, apart-hotéis ou apartamentos alugados. A vida dá muitas voltas. Eis eu aqui na Terra Prometida. 

Ao chegar ao lugar, me senti chocado, mas o aceitei em silêncio. Vim com uma carga de indisposição e predisposição impressionantes. Só consegui sentir semelhanças com campos de concentração que teria visitado mundo fora, mas nas condições económicas do momento, somente me restava agradecer à aquela empresa de quatro letras, por ter gerado empregos, subcontratar a empresa onde trabalho e permitir pagar minhas contas e dar uma condição de vida melhor para minha família.



Com o decorrer dos dias comecei a ver as vantagens de estar naquele lugar e reparei que não era nada de ruim. Tinha mais aspectos positivos do que negativos. Muita área verde, campos para a prática de atividades esportivas, salas de jogos, academia bem equipada. As construções eram rústicas, mas a empresa nossa, visando dar o melhor conforto, mobiliou os quartos que eram individuais e com banheiro, de uma maneira que não havia motivo algum para reclamar.



O ambiente que se respirava em aquele lugar era bem sadio. A maioria das pessoas se cumprimentava ou fazia por responder a um "bom dia" ou 'boa noite", ainda que de forma tímida ou peculiar.

Era fácil fazer amizades e com pessoas de extrações sociais bem diferentes, indivíduos com os quais a gente não se relaciona com frequência e começar a descobrir novos mundos e novas realidades, interessantes, necessárias.

Pelo fato de não ser permitida a ingestão de bebidas alcoólicas, nem a entrada de pessoal alheio, problemas de brigas, relacionamentos difíceis, etc., não eram comuns, nunca presenciei ou tive conhecimento de algum, pese a que o 95% ou mais das várias centenas de pessoas que habitávamos o lugar, éramos homens.

Quando fiz o check-out senti um pouco de nostalgia. Reconheço que lá eu fui feliz.

Agora teria que morar num hotel na cidade, com incomparavelmente melhores condições, mas estaria exposto a outras situações que no alojamento, ao que carinhosamente apelidamos de “Muquifo” pela primeira impressão que passou, tinha esquecido, tais como violência, discriminações, problemas com a segurança, etc.

A quantidade de gastos pessoais aumentaria. No “Muco” a alimentação, lavanderia, academia, água para beber, etc., estavam incluídos. Agora isso todo ficaria pela minha conta.

Falei sobre a facilidade de fazer amizades naquele lugar, mas curiosamente, só um senhor gordinho, baixinho e de cara fechada, costumava me encarar e nunca respondia quando o cumprimentava. Me observava de longe.

Não atinava a entender qual era o problema dele, mas também não dava importância. Era um, dentre tantos, que se tornava insignificante, mas não deixava de ser estranho o comportamento dele.

A nossa empresa instalou em todos os quartos dos funcionários um sistema de televisão por satélite, para o lazer de cada um dos colaboradores. Quando o representante do provedor chegou, disse que não precisava instalar uma nova antena porque havia outras próximas ao meu quarto e as mesmas tinham sido instaladas pela companhia onde ele trabalhava.

Não concordei com essa posição e repassei este parecer para minha empresa, mas não tomou nenhuma providencia pese a estar pagando por uma antena também, segundo rezava no contrato.

O sujeito foi lá, de uma antena que já existia, puxou um cabo até o meu quarto, furou a parede e horas depois o mundo se abriu para mim na tela da TV.

Até ai, tudo bem.

Os dias continuavam passando e toda vez que coincidia ou topava com aquele individuo gordinho, baixinho, de cara fechada, de abdômen pronunciado e de pele no rosto pouco lisa, era recebido com um olhar atravessado.

Um bom dia, o sinal de TV deixou de chegar até o meu receptor e pedi ajuda a um dos bons amigos que fiz por lá, que se entendia com esses assuntos de antenas e descobriu que alguém tinha soltado o meu cabo.

Lá foi o meu amigo, ao qual uma vez apresentei o meu projeto de auto-canonização sem pararmos de rir, reestabeleceu a conexão e a felicidade voltou.

E o senhor continuava a me olhar com cara feia.

Até que um bom ou mal dia, alguém bateu na minha porta tirando satisfação por eu estar usando de maneira indevida ou roubando o sinal de TV dele.

Adivinhem quem era o agraciado?

Acertaram, era ele, o senhor gordinho, baixinho, de cara fechada, de abdômen pronunciado e de pele no rosto pouco lisa.

Ai eu expliquei o que vocês já conhecem sobre que os dois éramos vítimas de uma empresa pouco séria e que fez a instalação paga, como se fosse um clássico “gato”.

Ele não soube como me pedir desculpas. Ficou visivelmente constrangido.

A falta de comunicação, a ausência de diálogo teria provocado situações bem desconfortáveis.

Os dias passaram e continuei assistindo televisão sem problemas.

Agora entendi porque me olhava daquele jeito. Talvez pensava que eu seria um neguinho safado e ladrão.

O dia que apareci no alojamento para fechar o meu contrato e cancelar o crachá, o senhor se aproximou de mim e me disse: há dias estou-te procurando, peço para me dizer quando for sair do alojamento, para não cancelar o meu contrato de TV por satélite antes e não te prejudicar.

Agora a gente se cumprimenta e sorri.


sábado, 26 de novembro de 2016

UNA PÁGINA DOBLADA

HACÍA MUCHO TIEMPO QUE NO POSTABA, QUE NO ALIMENTABA ESTE SINGULAR MEDIO DE EXPRESIÓN, PERO ESTABA ESPERANDO A QUE OCURRIERA UN ACONTECIMENTO ESPECÍFICO, PARA VOLVER, PARA RETOMAR.

SIN SER NI REMOTAMENTE LO QUE ESPERABA, UN HECHO, DIGAMOS IMPORTANTE O TAL VEZ YA NO TAN IMPORTANTE, OCURRIÓ HOY O AYER. PARA MI TODAVÍA ESTÁ IMPRECISO, MAS ME MOTIVÓ A ESCRIBIR. 

ESCRIBIR PUEDE SER UN HOMENAJE. 
PUEDE SER UNA DENUNCIA. 
PUEDE SER TAMBIÉN, COMO EN MI CASO: UN DESAHOGO.

DESPERTÉ CON LOS MENSAJES Y LAS LLAMADAS DE AMIGOS, ME AVISANDO QUE FIDEL CASTRO HABÍA FALLECIDO.

SOLO TUVE SENTIMIENTO DE SORPRESA. NO TENÍA IDEAS DE COMO ME LLEGARÍA UN DÍA ESA NOTICIA.

PARA DECIR VERDAD, NUNCA PENSÉ QUE ME LLEGARÍA ESA NOTICIA.

PERO A LA CABEZA ME VINO ENSEGUIDA UN TRECHO DE UNA MÚSICA DE ORISHAS: "UNA PÁGINA DOBLADA", QUE PARA MI SIEMPRE FUE UNA DE LAS CANCIONES MÁS ELABORADAS E INTELIGENTES DE LA BANDA, PROBABLEMENTE UN PROTESTO AHOGADO, UNA FORMA DE SOBREVIVIR EN LA CENSURA, UNA MANERA DE MANIFESTAR LA AMBIGÜEDAD DE SENTIMIENTOS QUE SIEMPRE ABRIGÓ A LOS CUBANOS.

"Una muralla tendría que armar 
Con el saco de dudas que nunca se irán y ganas que tengo 
De saber un poco más 
Creo que nada será más eterno 
Que aquel que fue dueño de tantas y tantas ventanas 
Desde aquella mañana 
Unos dirán que su hora llegó 
Otros irán a pedirle a Dios 
Que aguante un poco más aunque no crean ya 
En la palabra que les dictó 
Sin preguntar si quieres o no 
La que los elevó o la que los hundió

Qué será?, pasará? qué vendrá? dónde está? 
Las vueltas que da la vida 
Qué vendrá?, pasará?, dónde está? quién será? 
Las vueltas que 

Y no me digas que la cosa no es tan fea 
Cuando siento el sonido retirada 
Mi gente apagada sea contenta 
Y los que están felices se atormentan 
Ayayay que será del a degüello cuando rueden cuellos 
Que será de al machete cuando no hay machete 
Que será de mi manada cuando empiece la rodada 
Sábanas blancas colgadas por toa mi gente o mama 
Una página doblá para bien o para mal 
Tal vez mejor así tendría que estar ahí 
Una página doblá para bien o para mal 
Tal vez mejor así, tendría que estar ahí"

SOLO SÉ, QUE: DESCANSE EN PAZ Y LO MÁS IMPORTANTE QUE DEJE DESCANSAR EN PAZ A OTROS QUE YA SE FUERON Y NO TUVIERON MUCHA PAZ, A LOS PRÓXIMOS QUE NOS IREMOS Y QUE NOS PERMITA VIVIR A TODOS, EN PAZ.

POR OTRO LADO, SERÍA INJUSTO EN UNA OPORTUNIDAD COMO ESTA, NO COMENTAR TAMBIÉN SOBRE LA COMPOSICIÓN INTERPRETADA POR EL GENIAL DÚO BUENA FE: "DIOS, SALVE AL REY" , AUNQUE ....... Y QUE EN UNO DE SUS TRECHOS DICE:

"Ya sé que la anarquía es libertad podrida 
y esbeltas democracias como los bonsai, 
que hay dictaduras maquilladas de poesías, 
que la tristeza va drogada de alegría, 
y en las revoluciones... tiempos que esperar. 

Qué difícil quitar 
o poner 
o lavar o manchar 
donde ha pintado el tiempo 
Más ateo que el sol 
me pertrecho de amor 
y grito con mi esfuerzo. 

Dios, por favor, salve al rey, 
de olvidarse de aquel que le miente. 
Por favor, salve al rey, 
de callarle la boca a la gente. 
Que al descuido de un olvido sinrazón, 
van heridas en las almas 
toda una generación. 
Yo pido: 
Dios, por favor, salve al rey, 
que de iguales somos diferentes. 
Por favor, salve al rey, 
que en sus manos va vida y va muerte, 
pues tras ella nuevas vidas quedarán, 
suplicándote lo mismo 
sobre el rey que venga atrás."


NO SÉ LO QUE VA A MORIR CON ÉL. NI EL DESEO QUE SE IRÁ ATRÁS O JUNTO CON ÉL.

PENSAR QUE NADA MORIRÁ, ES EXCESIVAMENTE UTÓPICO, MUY A LA MANERA DE COMO NOS ENSEÑARON LA VIDA.

VEREMOS LO QUE NACERÁ, PORQUE ES INNEGABLE QUE HABRÁ NACIMIENTOS. 

DEL MONÓLOGO DE SEGISMUNDO, DE CALDERÓN DE LA BARCA, EXTRAIGO:

"¿Qué es la vida? Un frenesí. ¿Qué es la vida? Una ilusión, una sombra, una ficción; y el mayor bien es pequeño; que toda la vida es sueño, y los sueñossueños son."

VAMOS PARAR DE PENSAR QUE LOS SUEÑOS ERAN VERDES Y QUE CABRITO COMIÓ, O LO PEOR: QUE NOS CANSEMOS DE SOÑAR.

GRACIAS Y BUEN DÍA.

POR QUÉ NO?

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ela não nasceu égua!

Dias atrás, durante um almoço de fim de semana, a minha esposa e eu estávamos rememorando questões marcantes do passado, da nossa infância, de lugares que recentemente foram revisitados pelos nossos filhos ao visitarem o país onde nascemos depois de alguns anos, entendendo e reconstruindo a nossa história.

Um daqueles lugares foi o Clube do bairro onde ela nasceu, que naqueles anos de esplendor era um lugar muito bonito, altamente frequentado pela vizinhança e onde as coisas aconteciam.

No país existia a tradição do Carnaval, tradição esta que como outras tantas, foram abolidas por decreto de alguém que achou que era nocivo ou que não devia ou poderia continuar existindo, mas que um bom dia, sem nenhuma explicação, volta a ser como antes ou parecido e onde o proibido se torna aceito.

Dentre as atividades que rodeavam as festas, uma era bem singular, a escolha da Estrela e dos Luzeiros.

Uma competição que envolvia a todos, onde era escolhida a garota mais bonita e seis acompanhantes, segundo o nível das finalistas no concurso.

Muito antes mesmo da primeira eliminação do Carnaval como evento, o citado concurso tinha proscrito. Alegava-se que isso trazia diferenças e discriminação entre as mulheres, que era um método de coisificação do sexo feminino. 

Certamente, como toda sociedade hipócrita e que solapa o racismo, nunca uma negra ou mestiça foi eleita estrela a nível nacional e também não tenho registro de alguma que conseguiu semelhante feito a nível regional.

Se por acaso alguma garota sem ascendência saxônica e mesmo de beleza indiscutível teria a coragem de se apresentar, o máximo que estaria disponível para ela seria uma posição de luzeiro. Os mais vorazes críticos não concordarão comigo, mas a realidade não tem como ser reconstruída e a história ainda que alguns se achem no direito de mudá-la, os fatos são imutáveis.

Havia detalhes curiosos ao redor do concurso. Um deles refletia a crítica situação que sempre viveu o nosso país desde os inícios do Processo e até os dias atuais. Na época, a questão da vestimenta era bem mais complicada. Não existia venda de roupa praticamente, apenas algum que outro modelo de confecção nacional cobria o corpo de todos os meus conterrâneos, que sempre e em meio das dificuldades, ríamos e apelidávamos as peças como “todos-têm”.

No concurso, as candidatas não podiam vestir roupas importadas, para evitar constrangimentos e diferenças notáveis entre as participantes, dando vantagens competitivas a umas sobre outras. A maioria se apresentava com vestidos costurados por mães, parentes ou amigas.

A minha esposa, que não é de olhos loiros e dentes azuis, participou quando menina de um destes concursos no bairro onde morava e o mesmo aconteceu naquele Clube do Bairro donde transcorriam as sessões e torcidas pelas aspirantes. Era o sono e o pesadelo de todas as meninas.

Finalizado o concurso, aquela linda menina que depois teve a honra de virar a minha esposa (hahahaha) foi eleita uma das luzeiros.

Ela comentou com os nossos filhos que se sentia orgulhosa, no seu delírio infantil e que nos dias no carnaval era desfilava, num carro alegórico decorado com flores e uma estrela, onde cada menina tinha um lugar e na medida em que passavam pelas ruas, o pessoal atirava confetes, serpentinas, aplaudia e jogava beijos ao tempo que comentavam da beleza das garotas.

Uma vez mais, se fez presente o problema do entendimento de duas línguas próximas, mas diferentes.

Os meus filhos falam muito bem espanhol e dominam a língua, mas há termos que nunca foram usados e desconhecem. A minha esposa quando tentou explicar o meio de locomoção que transportava as ganhadoras do concurso pelas ruas do nosso país, onde a língua oficial é o espanhol, disse que era uma “Carroza”, termo muito parecido foneticamente com “Carroça” e os meninos estranharam e começaram rir.

Ai eu entrei na brincadeira e disse: meus filhos, a sua mãe não nasceu égua, ela nasceu menina ainda que de vez em quando dá uns coices quando fica brava ou quando me aproximo a noite. O problema é que em Cuba os carros alegóricos são chamados assim.

Todos rimos inclusive a minha esposa, que no início não gostou da brincadeira, mas acabou vencida pelo clima da descontração e da confusão das palavras.


                              Eis um exemplo de "Carroza"

Para onde foi tudo aquilo, além das recordações?

Nostalgias.

E não é dos bons tempos, senão simplesmente do passado, do nosso passado, uma das poucas coisas que realmente nos pertence, ainda que para muitos, que estão por fora e desconhecem a nossa realidade, não seja grandes coisas.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

LERO-LERO

Eu sempre me caracterizei por ter bom faro para algumas coisas. 

Essas habilidades as desenvolvi como mecanismos de defesa contra todos os imprevistos e pedras que colocaram no meu caminho ao longo da vida e se de alguma maneira consegui sair vitorioso, é por ter cultuado esse sistema de proteção, que se manifesta de diversas maneiras, onde o fator surpresa, o imprevisível e a ausência do óbvio são elementos decisivos para o sucesso, para a luta contra aqueles que te dizem uma coisa e estão pensando e maquinando outra, contra aqueles que se acham espertos e acreditam que podem te passar a perna com relativa facilidade ou garantida certeza. 

Já  conheci muitos.

Consigo cheirar lero-lero de longe, já topei com uma quantidade suficiente de excelentes exemplares e inicialmente fui vítima de algum que outro ou outra. Acreditei neles, no histórico que me venderam, na pele de cabrito que vestiram, porque nem tiveram possibilidade de vestir pele de cordeiro, já que se tornaria evidente que estariam tentando enganar.

Estas letras são atemporais e não se remetem a um sujeito em específico, com o intuito de preservar algumas questões que ainda para mim tem valor, que são importantes.

Alguma coisa me fez criar uma barreira contra o sujeito, assim que foi apresentado na empresa.

Conjuntamente com a intenção de mostrar simplicidade, aceitação, agrado e felicidade por ter arrumado um bom emprego em tempos de crise, transparecia um malévolo ar de superioridade, de enganação e falando de engano, a primeira que caiu na armadilha, foi a equipe decisiva do processo seletivo, que tanto se cuida de barrar a entrada de elementos que lhe façam sombra ou que atentem contra a cultura e os costumes da empresa. Pura hipocrisia. Só querem bajuladores ou pessoas fáceis de lidar e manipular, que por cima não se rebelem ou manifestem opiniões contrárias. Não há exceções nesse meio, a esse nível.

Senti uma rejeição natural involuntária, mas tenho que me sobrepor a esses deslizes e me abri, abaixei a guarda para ver até onde iria. 

Numa aproximação num momento de descontração, que são os piores para aflorarem nuances indesejados, já que na confiança e nos descuidos estão os perigos de serem desmascarados, a pessoa me pareceu em extremo comedida nos vocábulos empregados ao tempo que se desvivia por vender uma imagem. Tornou-se desmedida ao ponto de resultar inconveniente, mas aturei porque precisava. Tinha que lhe dar linha para fazê-la se sentir à vontade e corroborar as minhas suspeitas.

Todos vendemos imagens. Somos nossos maiores vendedores. Alguns somos bons, outros somos péssimos. Há limites para alguns, para outros a ambição faz com que errem muito já que o patamar é o céu, não olham para baixo nunca e tropeçam e caem feio. Para não ser diferente, caiu sem percebê-lo.

Por isto e por outros pequenos detalhes que observei, já não tinha mais dúvidas que teria sido contratada uma pessoa-problema. Espero estar absolutamente errado ou que outros reparem o quanto antes no perigo e extirpem o mal ou aprendam a contornar a situação.

Um último fato me fez rir na medida em que acompanhava a exposição, a fraseologia um tanto rebuscada do elemento, porém cheia de vícios da fala, que aproveitou uma ocasião de reunião magnânima, com todos os colaboradores presentes, para se mostrar, para se luzir que nem pavão, como para dizer: espero que me conheçam e saibam quem está aqui, porque eu vim para reinar e este é o meu pedaço.

Foram instantes de asquerosa autopromoção, onde fez alusão a renomeada empresa onde trabalhou, cargo que ocupou, funções chaves que comandou, conhecimentos e informação privilegiada e/ou classificada que possuía. Tudo isso o concatenou com estudos ultra superiores de aprofundamento no assunto. Ou seja, tentou dar um banho de importância a um assunto que sem ser simples ou banal, não o requeria, mas era a oportunidade para brilhar que nem "Luz Clarita", para não deixar lacunas, espaços sem preencher.

Fiquei assustado com aquela máquina demolidora, com o avanço tão apressado e a ingenuidade das futuras vítimas. Fiquei feliz. Há muita falsidade e talvez muitos estejam nas mesmas condições que eu, em fase de estudo e precauções. 

Ao menos a mim não me enganou e acho que percebeu que não mordi a isca. Quem sabe troque o anzol.

Peço desculpas, mas você mereceu a minha singela homenagem!

segunda-feira, 28 de março de 2016

Julgamentos

A todos aqueles que se sentem no direito de me julgar ou que sintam vontade de faze-lo, eu simplesmente lhes faria um convite.

Os convidaria para viverem o que eu vivi, para ouvirem e dizerem o que tive que escutar, o que tive que falar. Para que compartilhem a minha vida, as alegrias, tristezas, decepções, acertos, frustrações e sucessos.

Para que tenham a oportunidade de serem um pouco eu, que muito provavelmente, no final se conseguirem chegar, superar e carregar tudo isso, irão desistir de me julgar e quem sabe, se levantem e me aplaudam, ainda que eu não precise de aplausos.

A propósito, eu não preciso de nada vindo de quem me quer julgar, não estou nem ai para as coisas que aconteceram. É tolice querer justificar, se explicar, se arrepender. Passou, tá feito!

Tôu nem ai para o meu passado e muito menos para as tuas reflexões e questionamentos sobre minha vida.

Vem cá, responda para mim: Eu te perguntei alguma coisa?

Vai cuidar da sua pobre vida!

Entender, melhorar, avançar é o importante.

Agora, se você é dos que respeita o espaço alheio, dos que reconhece as fronteiras entre o fim do meu direito e o início do teu, dos que não acredita ser melhor do que ninguém, dos que ocupa o seu tempo em se superar, ajudar, agregar, tolerar ou no melhor dos casos, se mostrar indiferente a aquilo que nada tem a ver contigo, então, você é dos meus e estamos juntos. 

Estivemos juntos ontem, estamos hoje e estaremos sempre!

Eu vivo.

Gente má e ruim, tem em todas partes, mas há lugares, culturas, povinhos  e países, onde tomam a dimensão de epidemia, hemoragia, diarreia, mas para todos eles, eu lhes dedico gentilmente, com a simpatia que me caracteriza, a letra de uma canção-poema, escrita pelo compositor e cantor cubano Amaury Pérez, no ano de 1975. Façam bom proveito! É uma pena que não posso traduzi-la para todas as línguas.

Mala gente

Yo he visto caer a un hombre
en el morral de la infamia,
vi también cómo se salva
a fuerza de golpe y golpe.

He visto morir amores
cuando mejor florecían,
por poca filosofía
o muchos, muchos temores.

He visto caer a un hombre
herido por la bebida,
vi también cómo crecía
sin porvenir y sin nombre.

He visto como se esconde
el amigo a criticar
lo que debiera adorar
con la faz y sin traiciones.

¡Ay! la mala gente,
¡ay! la gente mala
mira que me empeño
en quererles, y nada.

¡Ay! la mala gente,
¡ay! la gente mala
mira que me empeño
en comprenderles, y nada.


Yo he visto como la envidia
hecha un taladro, penetra
y baila al son de una fiesta
con el odio en compañía.

A quien empuja su vida
con la mejor buena fe
y la rinde ante la red
de la podrida semilla.

Al que ha querido ser hombre
y no ha llegado a su altura,
al que ha quedado en la duda,
al que no hay bien que perdone.

Quien cree que tiene su nombre
un digno sitio en la historia,
pero no llega su gloria
ni pa' adornarla con flores.

Yo he visto como, en la sombra,
el odio cuida a su cría
y lanza una cacería
pa' destruir lo que estorbe.

Es que el odio tiene dotes
que no he podido entender,
pues tiene más brío quien tiene
fuertes frustraciones.

Yo he sentido en tantas noches
la burla, la hipocresía
y unos ojos que aun me miran
queriendo arrancarme el broche.

El broche que da la vida
a quien le paga con bien
y que no merece
quien le cuesta caro a la vida!