domingo, 31 de julho de 2011

Fotos: Butiquim da Carne.

Butiquim da Carne - Confirmado: "Os sonhos não envelhecem".

Situado na cidade de Belo Horizonte, capital do estado das Minas Gerais e integrante deste imenso conglomerado chamado Brasil, para ser mais preciso ainda, no alto do Bairro São Pedro, na Rua São Romão entre Lavras e Viçosa, esta nova vida, nos fez descobrir, que ainda somos férteis, nasceu um novo filho.

Que venha cheio de saúde e prosperidade!.


Vista Parcial do terceiro ambiente situado no andar superior.

Vista parcial do Primeiro Nível do bar / restaurante.

Interior do Butiquim da Carne. Diferente e Aconchegante.


domingo, 17 de julho de 2011

Crônica: Testemunho de um cadeirante.

Quase todos os dias ao sair do serviço, passo por uma esquina, onde invariavelmente encontro com o meu companheiro de sinal, o meu colega de engarrafamentos, um jovem que domina com agilidade uma cadeira de rodas e que a olho nu está desprovido das duas pernas.

Pela complexão física, dá para perceber que não há muito tempo que está nesta condição, além de não apresentar visíveis malformações.

Com freqüência compro dele balas, confesso que sou viciado por elas, mesmo sem compreender a minha fixação, chegando ao ponto de quase sentir abstinência, quando me faltam.

Às vezes troco umas palavras para preencher o tempo, outras são simples olhares de cumplicidade com o tédio do trânsito.

Um dia precisei estacionar perto da esquina onde ganha o seu sustento, pois necessitava entrar numa loja próxima do lugar e ele aproveitou, se aproximou e conversou um pouco comigo, sobre questões triviais, evidentemente querendo ampliar a rotineira relação dos instantes que geralmente fico no semáforo e entre uma coisa e outra lhe perguntei se fazia muito tempo que ficava na cadeira de rodas, ao tempo que elogiei as habilidades que possui na condução, assim como a gentileza e o bom comportamento que sempre mostra para todos naquela esquina.

Ele me respondeu:

- Com a pressa no trânsito, eu não ganhei muito tempo, ganhei muitas multas. Por perder, perdi várias apostas, porque fazia rachas. Perdi quase uma das maiores apostas que os seres humanos temos que são nascer e preservar a vida. Esta última quase que a perdi, só que dessa vez, Deus foi benévolo comigo e perdi somente as pernas. Até parece que foi somente as pernas que perdi. Perdi a minha liberdade de ir e vir, de ser normal como quase todos, mas mesmo assim eu decidi na medida do possível, manter a vida mais ou menos como era antes, tentando pagar algumas coisas para mim, como a parte do aluguel que divido com um colega.

- Hoje, ainda que tarde, reconheço que de nada adiantava querer andar tão de pressa, se em definitiva, os lugares para onde eu ia, ficavam parados e até os meus dias ficaram parados por muito tempo, onde nada acontecia, naquela cama, naquele quarto.

- Durante alguns anos procurei emprego dentro daquelas oportunidades de “caridade” que certas instituições oferecem para deficientes físicos, mas não deu certo. A rua, a esquina, foi quem me ouviu, mesmo assim até hoje não consigo deixar de sentir esta sensação absurda de humilhação misturada com uma dose de orgulho, que muitos não entenderão e que não perderia tempo em explicar. Só a esquina me deu amparo.


- Quer saber de uma coisa? Eu não reclamo, nem sinto que estou pagando pelos meus erros. Foi a parte que me tocou e vou literalmente rodando para cima e para baixo. Já me perguntei o que teria sido da minha vida se nada disto tivesse acontecido e a resposta que encontro é sempre a mesma: diferente, mas sem a noção de provavelmente ter sido melhor ou até pior.

Ele vende balas de abnegação, panos de chão empapados em espírito de sacrifício, ele é educado com austeridade. Eu nunca o vi sorrir.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Crônica: No Laboratório

Uns tempos atrás, o filhinho do Vinícius, vulgo “Piruetas”, andou passando mal e teve alguns piripaques  na Escola Pública que freqüenta e decidiu levar o menino até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima da comunidade, um dia que estava passando mal.
Eles têm que se virar sozinhos, porque a mãe está “guardada”, vendo o sol nascer diariamente quadrado.
Quando foi atendido e examinado pelo médico, apesar dos visíveis sintomas de verminose, ele decidiu fazer uma checagem mais ampla e após os exames de sangue feitos no local e de ter medicado o rapaz, indicou alguns outros exames complementares de fezes (coprocultura)  e seriados de urina.  Passou todas as indicações, os recipientes e as guias.
- Você está dizendo que o meu filho tem parasitas? -Perguntou o Piruetas-.
- Sim, é exatamente isso, só que temos que conferir qual e em que proporção.
- Mas na merda dele não tem lombriga não. Não é assim pirralho? Você já viu alguma? – Perguntou o Piruetas referendo-se ao filho -.
- Não pai. Nunca vi.
- Então doutor?
- Lombrigas, não é a única manifestação de verminose, -esclareceu o Doutor- há outra extensa variedade que não se manifesta da mesma forma e muitos são imperceptíveis, são microscópicos.
- Tá bom, esse negócio não doe e é de graça. A gente faz. Falou!
No dia seguinte em casa, de manhã, na hora do menino colher o material.
O Piruetas fala para o filho:
- Lembra de lavar bem o “animal” e de secá-lo como o médico falou, antes de mijar.
- Ok pai e como faço com o outro?
- O outro que?
- O cocô papai.
- Há duas formas: ou você caga num papel e depois com aquela colher de plástico pega um pedaço da parte de cima e enfia no pote, ou coloca o pote na “porta”, deixando o esquilo literalmente sair da toca, judiando da louça e já vai direto.
- E se eu fizer num papel, quem limpa o negócio depois?
- Com certeza você.
- Então vou sentar no vaso e pôr o pote próximo para que caia direto.
Mas a criança, inocente ao fim, não calculou a quantidade de excremento que estava saindo considerando a capacidade do potinho.
- Ô Pai.
- O que foi filho? O urubu bicou?
- Pai: bicou demais, sujou! Não está cabendo no trem aqui, está ficando russo, desbordou. –Clamou o menino desesperado por ajuda-
- Dá o seu jeito aí meu filho, retira um pedaço do que está sobrando e coloca a tampa!

O menino estava naquele trance de se limpar, aquele nojo das mãos borradas e na situação de ter que colocar ainda a tampa no pote. Aconteceu o mais lógico, a tampa caiu no vaso e agora?
- Pai: a tampa caiu dentro do vaso sujo, você pega para mim?
- Sem chance filhote, deixa assim, a gente entrega sem tampa, - entrando o Piruetas pela porta do banheiro-, pega esta sacola e enfia tudo lá dentro, mas com jeito.
O sujeito chega ao laboratório de análises químicas com a sacolinha "premiada".
Passa pelo vigia da porta e nem tchum, nem olha para o fardado, não dá idéia nenhuma.
Mas o guardinha o aborda, depois de um estrondoso “Bom dia” lhe pergunta se ele vai fazer "colheita" (vou dar um desconto para o fardado, que tem 8 anos na porta do laboratório e não aprendeu até agora, que o termo correto seria "coleta", o mesmo que é usado para o lixo) e o nosso cara se detém e fica emburrado, tipo assim, sem entender:
- Como assim? Aqui é lavoura ou é aquele negócio de picada na veia, sangue e esses troços?
- Sim você está certo, só perguntei para lhe estender uma senha.
- Ok, dá aqui! O meu filho obrou hoje de manhã e eu vim para entregar este negócio.
O cara dá uma olhada de maus amigos para os presentes na sala de espera, abre bem as pernas ao se sentar como se fosse o sujeito mais bem dotado do universo, dá aquela coçada básica, abre os braços ocupando mais de uma cadeira e aguarda impaciente até ser chamado pelo número.
Minutos depois no painel aparece o número da senha dele, se levanta e se aproxima do guichê indicado.
Ao chegar se depara com um dos acostumados rapazzzes que às vezes ficam nestas posições de atendentes.
- Bom dia. -Falou o atendente todo-todo-
O nosso amigo torceu o nariz e não deu muita bola, pegou a sacola e a colocou em cima da pedra de granito no balcão.
- Esse é o material? –Pergunta gentilmente o rapaz do laboratório.
- Bom! Aqui o que eu trago é bosta e mijo. Vem cá brow, se não for isto, vai ser o que então?
- Tudo bem, é outra forma de se referir ao mesmo assunto. Trouxe as guias?
- Estes são os papéis. Toma!
- Muito obrigado. Mas, o que aconteceu com a tampa da vasilha das fezes.
- Olha, a tampa do pote caiu no vaso e você tem que entender que nem eu e nem o meu filho, íamos enfiar a mão no vaso para pegá-la. Entendeu?
O atendente abaixa o tom da voz e fala em tom de cumplicidade.
- De acordo, só que o material pode ter se contaminado e perder a esterilidade do pote.
- Me diga uma coisa. Por que você está falando com essa voz de rato?
- Senhor, pelo que eu sei ratos não falam.
- Ok, mas com certeza, se falassem seriam muito parecido com isso que tu estás fazendo ai.
- Voltando ao assunto, eu não poderei receber o material nestas condições e lhe repassarei uma nova guia para que o traga de volta, assim como fornecerei um pote devidamente esterilizado para repetir o exame. O exame de urina sim será realizado. Aguarde-me um minuto, por favor.
O atendente levantou-se, afastou-se a procura do recipiente e da nova guia. O tempo fechou, o nosso amigo, não entendeu nada da verborréia, só deduziu que a merda que a essa altura estava fedendo bastante, não ficaria no laboratório e ...
- Ô, olha aqui, eu não vou vir outra vez e também não vou para casa com essa bosta novamente.
- Não precisa voltar para casa com ela, você pode jogar a sacolinha na primeira lixeira que encontrar na rua.
E assim o Piruetas, falou outra dúzia e ½ de palavrões, alguns para o atendente, outros para si mesmo e outros para quem estiver ouvindo, saiu pela porta, jogou a sacola fedorenta no lixo próximo da saída e o que aconteceu depois, veremos numa próxima postagem.
Só peço para você tomar os devidos cuidados, quando estiver fazendo as suas necessidades matinais e tiver que fazer uma daquelas ou destas "colheitas".

Cá entre nós. Mesmo que o fato esteja associado à uma atividade fisiológica comum, é complicado e primitivo o processo da coleta e que dizer do constrangimento, na hora de entregar o potinho ao antendente?
Desculpem, mas nem sempre dá para falar de coisas bonitas e cheirosas.
Com certeza o Piruetas diria: que desculpas nem que nada, todo o mundo caga, mija e fede pra caramba! Desde aquela ninfetinha arrebitada até aquele velho caindo aos pedaços e que fica com a boca sempre aberta.
Are you with me?