quarta-feira, 15 de abril de 2015

Depende de Nós!

Toda vez que ouço ou lembro-me dessa canção, escrita pelo grande Ivan Lins, não consigo deixar de sentir emoção e nostalgia.

Para mim, sempre estará associada a uma atividade de fim de ano leitivo, que aconteceu na escolinha dos meus filhos, no maternal, quando estavam com aproximadamente 03 anos e a turminha deles ensaiou uma apresentação, na qual entoavam, mesmo sem quase entender, ao menos assim eu acredito, a letra e a melodia, com uma paixão e uma alegria, que só conseguiu arrancar lágrimas dos que presenciávamos aquela maravilha de ternura, inocência, de curiosidade, de avidez pela vida.

Palavras sábias, frases que ganharam a eternidade:

Depende de nós 
Quem já foi ou ainda é criança
Que acredita ou tem esperança
...”

Hoje, chegou a vez dessa realidade ter se incorporado ao dia a dia dos meus filhos. A infância ficou para trás e o presente-futuro depende fundamentalmente deles, mas também de nós, que como pais não deixaremos de ajuda-los a viver.

Na faculdade é diferente. Ninguém fica por conta de você, do teu aproveitamento escolar, da tua conduta. Isso pode provocar distúrbios, desequilíbrios.

Eu não lembro ter tido esse tipo de reação, quando aconteceu a passagem do ensino médio para o superior, mas lembro do "baque" que tive quando finalizei a engenharia, vi que todos nos despedíamos, fingindo ou aparentando que estávamos prontos para seguir a vida. 

Estava entrando num universo raro, de competição diferenciada, de relacionamentos com matizes às vezes complicados, de responsabilidades, de surpresas e que hoje mais próximo da aposentadoria e pensando que já vi muito ou quase tudo, me deparo com situações e comportamentos inimagináveis.

Depende de nós 
Se esse mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem (ou essa mulher) tem feito
...”

Isto é só um pretexto inconsciente, simplesmente uma ocasião para lembrar que o ciclo da vida se repete, que o desenvolvimento em espiral é real, que aquelas criaturinhas indefesas ainda precisam de nós , pese a termos que falar com eles olhado para cima e que em poucos anos, gerarão outras criaturinhas que nem eles foram, que nem nós fomos um dia e que ainda preservamos muito delas, Graças a Deus, das pessoinhas que um dia já fomos e que por natureza, cada dia vamos mais ao encontro delas.

Os velhinhos são só crianças com experiências, no melhor dos casos, quando não se perdem as habilidades de reter conhecimentos, cheias de fragilidade e impedimentos, se despedindo da vida, mas com muitas ganas de viver. Do belo que é viver, é dai que eles tiram as forças.

Que o circo esteja armado
Que o palhaço esteja engraçado
Que o riso esteja no ar
Sem que a gente precise sonhar


Que viva a continuidade! 
Que vivam as rugas! Perai, rugas não, ai é palhaçada!
Então: Que viva a VIDA!

terça-feira, 17 de março de 2015

Circuito das estações. Outono.

A empresa onde trabalho organizou um programa global de competição entre as diferentes unidades do grupo, visando melhorar o condicionamento físico de seus colaboradores e ao mesmo tempo se inserindo numa iniciativa mundial de luta contra o câncer.

Eu me aderi à causa e dentre as diretrizes presentes no programa, há todo um conjunto de metas a serem fixadas por cada participante, orientadas à prática de atividade física e à melhoras nos hábitos de alimentação.

A nossa equipe decidiu participar no Circuito das Estações de 05 e 10 km, que teve lugar no dia 15 de março de 2015 no circuito da orla da Lagoa da Pampulha.

Sem mentir, fazia mais de 20 anos que eu não corria, mas me mantinha regularmente fazendo caminhadas e sou assíduo da musculação.

Dez dias antes do evento fiz a primeira tentativa, para testar a minha aptidão e qual não seria a minha surpresa ao constatar que não conseguia correr 500 metros. Fiquei simplesmente alarmado e faltavam poucos dias para participar da corrida. Já tinha a palavra penhorada.

Decidi então me propor todos os dias, ou sempre que possível, à noite, depois do serviço, treinar aos poucos e ver os avanços na minha preparação.

Fui progredindo paulatinamente, com desafios na medida do tempo que dispunha e superando também o que eu achava que eram os meus limites. Passei pelas diferentes etapas: 2 km, outro dia consegui 3,5 km até que no último dia da preparação consegui correr com relativa tranquilidade 4,8 km. Já estava pronto para enfrentar o circuito dos 5 km.

Feliz e apreensivo.

Não demorou muito e chegou o dia “D”.

Gostei muito do ambiente que circundava o evento. Respirava-se saúde, camaradagem, felicidade, realização e eu fiquei contagiado com o clima.

Por causa do elevado número de participantes e pela quantidade de ruas fechadas ao trânsito, tive que estacionar o carro a aproximadamente 03 km do lugar da largada, o Ponto Zero.

Para chegar a tempo de pegar o chip e poder participar da prova, boa parte dessa distância a tive que percorrer correndo.

Felizmente, tudo deu certo e até encontrei com os meus colegas de empresa e fizemos a conveniada foto do antes do cansaço.



A largada foi dada e lá fui eu para a minha estreia nas corridas de rua.

Tudo transcorreu conforme previsto até completar os 04 km. Para surpresa de todos e quase que parecendo pegadinha, o último km reservava dificuldades impensadas.



Primeiramente, uns 450 metros de subida, por uma rua mal asfaltada, de pedras e escorregadia. Esse trecho a maioria dos corredores o venceu andando. Depois viriam uns 250 metros de descida, o suficientemente íngreme, como para não descer sem tomar as devidas precauções e logo no final do quarteirão, o tão apreciado asfalto da avenida da orla. Mas isso não significava o fim da corrida, porque ainda restavam 300 intermináveis metros.

Parece que a organização do evento me passou esse número 1492, como para sutilmente indicar que sou velho, que estou velho, que quase vim com Colombo na época do descobrimento do Novo Mundo.

Em fim, objetivo cumprido: Cheguei.



Fiz um bom tempo para um estreante: 28 minutos.

Encontrei depois da corrida casualmente, com vários amigos que nem eu sabia que também tinham esse hobby. Foram muito reconfortantes todos aqueles abraços.



Os 03 km que restavam para chegar até o meu carro, duraram uma eternidade. Estava visivelmente cansado e parece que pisei em falso algumas vezes no último km e as dores na perna direita começaram.



Essa noite não consegui dormir, mas não foi da emoção, senão das insuportáveis dores que quase me fizeram ir para o hospital na madrugada, mas que  pouco a pouco foram cedendo.

Ao todo, no dia eu andei 11 km, dos quais uma boa parte foi correndo. Nada mal para quem até 10 dias atrás mal conseguia correr meio quilômetro.



Lembrei de um velho ditado que disse: "galinha que acompanha pato, morre afogada" e confesso que me senti desse jeito, só que este GALO - C.A.M aqui, é bastante corajoso, não desiste nunca.

Continuarei acompanhando os patos, porque peguei o gosto pelas corridas e não morrerei afogado, senão que pretendo um dia chegar com e antes de muitos patos.

Que venham as 04 estações! Me aguardem! O Vivaldi das pistas chegou.

(Será?).

quarta-feira, 11 de março de 2015

Planejamento de Projetos Internacionais.

Recentemente eu fui convidado para oferecer uma palestra, para alunos de Pós-Graduação sobre aspectos acadêmicos referentes à Engenharia de Planejamento de Projetos Internacionais, incluindo a minha experiência nesta modalidade de projetos, que indiscutivelmente têm suas peculiaridades, além dos muitos pontos comuns que possuem com os projetos convencionais de carácter mais restrito ou locais.

Para a exposição do tema elaborei o material que já está disponível para ser acessado por todos os interessados no assunto, mas as minhas experiências pessoais foram poupadas do artigo publicado, mas sim foram abordadas no ambiente da palestra.

Se alguém estiver interessado em compartilhar seus pontos de vista com os meus ou conhecer outro olhar sobre o assunto, tenha uma boa leitura no link a seguir:

http://www.administradores.com.br/artigos/academico/engenharia-de-planejamento-em-projetos-internacionais/85582/

segunda-feira, 2 de março de 2015

Reflexões 2015, 2016, 2017, 2018

Todos vaticinaram um 2015 funesto para o Brasil, para a economia do país e ao parecer e infelizmente, o nível de acerto está superando as estimativas, após terem sumido dois meses do ano amaldiçoado. 

Por enquanto, só tem mais podridão aparecendo, ficando mal resolvida e sem esperanças de soluções.

Ao mesmo tempo, fala-se e falou-se muito sobre a recuperação para 2016.

Eis agora a minha pergunta: Alguém poderia apresentar um único motivo que me faça entender o porquê a situação deve melhorar para 2016? Está prevista alguma mudança da equipe que fará as coisas acontecer ou é que alguém acredita que aqueles mesmos que hoje estão agindo da forma que todos estamos vendo, por arte de magia, começarão agir diametralmente oposto, sem mentiras, de maneira honesta, correta, assertiva?

Sempre as pessoas porfiam em dizer que aqui no Brasil não vai acontecer o que aconteceu em algum outro canto do mundo, às vezes bem próximo geograficamente. Sobre quais bases as pessoas têm essa certeza?

Será muita falta de imaginação minha ou excesso de criatividade dos otimistas?

Eu acredito ser uma pessoa otimista. Eu quero muito colaborar para que as coisas melhorem. Não quero que aqui aconteçam as barbaridades que estão surgindo, acontecendo e erros históricos se repetindo aqui e em países vizinhos.

Ficaremos só no fatídico 2015 ou teremos que nos preparar para décadas de desgraças, só pelo capricho ou ambição de alguns homens ou algumas mulheres, que se intitulam defensores e representantes da vontade de milhões, quando muitos desses milhões, nem sabem a ciência certa qual a sua verdadeira vontade? Confundir vontade com limitação de escolha, não será nunca a aspiração de um ser humano digno e racional.

Pesquisem bastante sobre outros modelos de sociedades que se nos apresentam como ideais ou melhores e tirem suas próprias conclusões. Ainda há tempo para pensar, raciocinar, se expressar. Depois você perde até a capacidade de imaginar, de sonhar.

Procurem saber. Não nos deixemos levar pela soberbia, o obscurantismo. 

Sem economia não há política. Podem até não concordar comigo. Agora, pensem num país com economia deplorável, péssima e com um sistema politico que se preze?

Amanhã pode ser muito tarde!

Mas,

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

República Dominicana.

Há muito tempo que estava com vontade de visitar e conhecer este país. A proximidade geográfica e cultural com as minhas origens me atraiam.

Confesso que nos últimos anos, com a “popularização” das opções de turismo para aquela área, relutei bastante para adquirir um pacote, mas por circunstâncias, às vezes imprevisíveis, apareceu a oportunidade e não a recusamos.

Bendigo a hora em que tomamos a decisão de viajar para Punta Cana e aproveitamos para conhecer Santo Domingo.

A estadia por lá será inesquecível pelos bons momentos que passamos. Era a possibilidade de estar a família reunida, sem o estresse diário, sem as obrigações. A nossa única missão era sermos felizes.

Esta felicidade completou-se com os encontros que tivemos com dois bons e velhos amigos, um deles cubano e outro dominicano, aos quais não encontrava há mais de três décadas, mas valeu a pena esperar. Só posso dizer: Que Maravilha!

Palavras não conseguem expressar aquilo que o sentir experimentou, perante a beleza geográfica e a delícia de andar por aquelas praias e lugares da região de Bávaro e o passeio pela Cidade Colonial da Capital, que além das suas lindas e imponentes lembranças arquitetônicas está em fase de recuperação de outras relíquias, dos velhos tempos e de outros não tão antigos, que albergam espantosas histórias e relatos dolorosos, como as selvagerias praticadas durante uma das ditaduras mais sangrentas que o nosso continente carregou, a do sicário Rafael Leónidas Trujillo e Molina.

Há muitas variantes de excursões, qual delas mais atrativas, mas por outro lado, as condições do bem estruturado sistema All Inclusive do resort fazem com que a gente se iniba de não usufruir ao máximo, aquilo que pagou. Mesmo assim decidimos aventurar em alguns passeios e só vieram agregar à nossa expectativa.

Vale a pena destacar a simpatia de seus habitantes: os quisqueyanos, o capricho no atendimento nas locações turísticas, o sabor das comidas. 

Quero fazer um aparte para a presença massiva de haitianos no país, que lutam pela vida e por se integrar a uma sociedade. Em sua maioria, são sinônimo de abnegação, símbolos de um povo que sofre e se esmera por ser feliz.


Só sei que as férias foram ótimas e que gostaria de voltar. 


Não é miragem, é real, é um prato de lagosta para uma pessoa.

O Mar Caribe próximo à cidade da capital Santo Domingo.

Vista desde o Forte situado na Cidade Colonial.

Monumento a Cristóvão Colombo na Cidade Colonial.


Porto de saída das embarcações desde Bayahibe para chegar até a Ilha Saóna.

Ilha Saóna. Talvez uma das oferendas dos humanos para Paraíso.

Litoral da Província La Romana.

 Praia privativa do Resort 

Eu na praia do resort.

A fundo o imponente Forte Colón que ninguém sabe para que está sendo usado.

Ruínas do primeiro engenho das Américas localizado em Santo Domingo.


Na Praia do Macao, apresentada como a melhor da região.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Santa Clara Clareou

Há algum tempo que estava me devendo esta postagem.

Na vida da família, chegou um momento muito importante e esperado. A formatura dos meus filhos, que concluíam o ensino médio, depois de uma satisfatória passagem, sem repetir nenhum ano durante toda a escola e sem maiores problemas.

Sempre foram elogiados, dentre outras coisas, pelo comportamento, pelas habilidades, pelas experiências de vida que tinham graças ao fato de nós pais, termos podido proporcionar para eles o melhor que a gente pôde, pela educação, pelo respeito, pelos valores que carregavam e professavam.

Era um momento singular que fixava um marco na vida deles, fundamentalmente. Começariam novas etapas. A entrada na vida de adultos. O ingresso à universidade. 

Escolhas importantes.

Mas quero me remontar um pouco à cerimônia ou missa da formatura. Foi muito bonita. Um dos meus filhos foi quem tocou os teclados durante o evento. O outro teve que ser puxado à força, porque não queria participar. Coisa absurda. Ele é bem querido na escola. Entender adolescentes é uma tarefa complicada.

Os dois estavam lindos.

Senti-me o pai mais orgulhoso e feliz do mundo. Mas a minha alegria, egoistamente era triste.  E digo egoísmo, porque não deixei de pensar na minha formatura há quase umas quatro décadas atrás. Foi brilhante. O meu pai ficou emocionado com todas as coisas que disseram de mim. Só dava eu, por ter sido o melhor aluno de todos os tempos, etc.

Mas eu chorei, porque teria gostado que minha mãe tivesse estado fisicamente, no ato e ter visto no que se converteu seu pequeno príncipe.  Mas Papai do Céu a levou para lhe fazer companhia, alguns anos atrás.

Tive que me conter para não entrar numa crise de choro, entre a emoção pelo que significava para mim o momento e as lembranças.

Felizmente os dois conseguiram vagas nas faculdades públicas a partir do exame ENEM e por mediação de vestibulares, nas privadas, mas todo esse processo (leilão do SISU) é bem estressante.

Uma grande amiga nossa (Y) visitou-nos na época que aguardávamos os resultados e ao ver a gente tão preocupada com o assunto, ela sugeriu uma simpatia: “Vocês como pais já fizeram o que deviam ter feito, os meninos estudaram, se esforçaram e os resultados foram bons, agora lhes peço para acender uma vela para Santa Clara, que ela ajuda a clarear os caminhos. Eu fiz e deu certo”.

E não é que Santa Clara clareou, como dissera a nossa grande amiga e como repete constantemente o Ben Jor na sua tão escutada música?

Os nossos filhos, nossos eternos meninos, não seguiram a tradição de engenharia dos pais, recusaram engenharia mecânica e engenharia de minas, ambas obtidas pelos resultados do ENEM em faculdades do governo, mas isso não nos faz sentir nem um pouco desapontados, pelo contrário estamos muito felizes com as decisões deles: Física e Relações Internacionais. Um em Universidade Pública, outro em Instituição Privada.

Aos nossos filhos eu lhes exijo muito, mas é porque quero que sejam cada vez melhores, mas quero que saibam que tenho um infinito orgulho de vocês e que não encontro unidade de medida capaz de mensurar o amor que sinto por vocês. 

PARABÉNS AOS DOIS.

Bons caminhos para todos.