quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

As Perdas do Coração.

Hoje aconteceu uma coincidência curiosa de fatos, que fizeram com que retomasse as letras, depois deste período de descanso nas atualizações no blog, que esteve acompanhando as maravilhosas férias que desfrutei junto a minha família e sobre as quais postarei em breve.

Mas antes de chegar a casa, pouco antes de começar a escrever, no caminho, estive pensando sobre o matiz que teria o resultado. Seria um mix de alegria com tristeza e não queria me submeter a este debate.

Com os anos, o surgimento de pensamentos tristes provoca sensações bem marcantes, lacerantes e não estava a fim de passar por elas, mas decidi não me preocupar tanto pelo final e ir para o início.

Dirigindo para o serviço, como de costume, vou ouvindo música e gosto nesses momentos, ouvir ritmos estridentes, com cadência forte. Ouvia uma daquelas rádios com o tipo de música que procuro, mas também cheia de bla, bla, bla.

Era um programa com ativa participação do público, onde cada dia é lançado um tema e as intervenções versam sobre o assunto anunciado. O de hoje era: “se você tivesse a possibilidade de voltar no tempo, a qual etapa da sua vida se remeteria, qual gostaria de viver novamente?”

Fiquei assistindo mais do que tudo, por aquele instinto que temos os humanos de nos testarmos e compararmos o tempo todo e assim concluir, o quão semelhante ou diferente eram os meus pensamentos, com relação à média dos ouvintes.

Durante o  período que escutei a programação fui testemunha das mais inacreditáveis criações do cérebro. Fiquei literalmente espantando ouvindo as vontades e anseios das pessoas. Com algumas me identifiquei bastante.

A coincidência da qual fiz referência no início da presente reflexão, deu-se durante a jornada de trabalho, quando uma colega que fará anos amanhã e cumprirá mais de 30 (é impossível descobrir a idade exata das mulheres), questionou-se se ela teria vontade de voltar no tempo. Taxativamente disse: Não.

Ela raciocinou que nunca antes se sentiu como nos tempos atuais, que não trocaria a vida de hoje pela que teve anteriormente, que física e espiritualmente não tem nada a dever aos seus 18 anos, - confesso: não sei quantos anos terá a aniversariante, mas está com uma aparência muito boa -, e que decididamente não voltaria ao passado.

Em silêncio, comecei a pensar no me caso, que proximamente estarei prestes a cumprir  ½ século de vida, que estou em plenitude de faculdades mentais, físicas e espirituais, pronto para começar de novo ou simplesmente iniciar novos propósitos (não são meras palavras) e também experimento esse orgulho de saber que a minha vida hoje é melhor que antes, pela sua qualidade e riqueza e não pelo fato de ter acumulado objetos e experiências.

Mas mesmo assim, gostaria por instantes regressar à minha infância, aos tempos em que ninguém estava morto, onde todos estávamos presentes e reinava a felicidade de sermos e estarmos juntos. Onde não tinha grandes responsabilidades para com a vida e me dava o luxo de ter perenes olhos atentos a cada passo da minha vida.

Depois conclui que não, que à semelhança da minha amiga, prefiro que o passado fique onde está.

Sofri muito com as perdas do coração. Agora sofro, mas aprendi a lidar com esta realidade de outra forma.

Já passou muito tempo.  Já se foram muitos seres queridos e não desejo experimentar a intensa dor daqueles instantes.  O tempo não curou todas as feridas e acredito que algumas delas não dará tempo para fechá-las, mas a dor assumiu novos formatos.

Para minha amiga, desejo um Feliz Aniversário, de coração.

Para mim posso dizer que pese aos meus mortos e as minhas dores, fui, sou e pretendo ser feliz.

Para mim posso dizer que ainda que fui, sou e que continuarei me esforçando por ser feliz, penso neles.

Obrigado à vida!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Artigo: Ovelhas Negras.

Peça licença para si mesmo para ir à luta. 

Batalhe por não ser uma Ovelha Negra, mas não pense que este é o fim do mundo.

Sair dessa condição é possível. 

O prazer e o orgulho de respeitar e ser respeitado.

http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/ovelhas-negras/51014/

Chefes ruins precisam e procuram ovelhas negras, alvos para desovar suas frustrações e insuficiências.
Bons gestores fazem triagem, analisam, observam e apóiam aos supostamente mais fracos, detectando neles os talentos mais visíveis e até aqueles bem ocultos e que muitos, - em tom de "brincadeira sem graça" -, costumam dizer que estão tão profundos, que são imperceptíveis ou difíceis de enxergar.
Bons gestores também perseguem as habilidades que mais proveito poderiam trazer para a equipe, atraem aos menos experientes com tacto e respeito, incorporando-os, tendo ciência real de que a obra é coletiva, que o aporte de cada um pode ser vital, significativo, inclusive o dos novatos, os aprendizes e os egos, em sentido geral estão melhor resolvidos.
Isto tudo parece obra da imaginação ou de idealizar um sonho, mas até de forma intuitiva acontece quando se é um bom gerenciador de pessoas. É real e é possível.
Se desafortunadamente você cair na categoria de perturbado, se for tido como sinônimo de conflitos e dúvidas, centro das más atenções, objeto das chacotas de infelizes que se contentam em saber que há sempre quem está pior do que eles, não se desanime e proponha-se sair da situação.
Mostre para si mesmo suas forças e potencialidades, ouça, escute, mas aja sutilmente por seu próprio juízo, mesmo que exteriorize outra coisa. Faça uma auto-análise bem criteriosa. Não se dê o luxo de colocar panos quentes ou de tampar o sol com a peneira perante os seus próprios problemas. Seja o seu maior crítico.
Coloque-se metas e objetivos concretos e precisos, planeje estratégias a curto prazo com espectros de longo alcance, pense de "cabeça fria".
Aceite e procure ajuda, mas aprenda a discernir dentre as aproximações, as colaborações e dicas, aquelas bem intencionadas. A tarefa é difícil, mas não é impossível. Faça uso da sua experiência de vida, do seu olfato, da sua intuição.
Há uma essência insana e com alto poder destrutivo, em superiores que se sentem ameaçados por algum motivo. Não suportam, não toleram serem contrariados, ficarem opacos ou dividirem o mesmo brilho.
Para alguns "a equipe" que comandam, deve se comportam como um rebanho, onde nunca haverá preocupação com as reações, porque sempre ou serão facilmente controladas ou simplesmente o poder de manipulação e coerção é tão forte que nem cogitam esta possibilidade. Pensam: "os meus súbditos já me conhecem e sabem do que sou capaz". É fácil governar assim. É muito tranqüilo achar que todos os teus subordinados estão prontos, aptos e capacitados e que só te corresponderá cobrar e recolher bons frutos. Você especializou-se na palavra, em cobrar das pessoas e não em treiná-las. Você nunca criou nada. Você nunca plantou nada. Você sempre se beneficiou do resultado das ações dos outros. Parece taxativo, mas é real.
Se você ficar fora deste espectro de submissão, complacência e cenário pre-desenhado e preconcebido, sua situação está prestes a se tornar em extremo complicada, tornar-se-á centro das atenções, converter-se-á em ovelha negra.
"Superiores" gostam de acreditar que têm poder sobre a tua pessoa, teus atos e pensamentos.
Para virar ovelha negra não é preciso ser incompetente, errar. Basta não agradar ou simplesmente existir, ser ou estar.
A hipocrisia, como disfarce pesado do medo, não é a solução, considerando também que se alguma coisa você não tem é medo, mas atue com cautela, jogue o jogo dos outros, não se desgaste em lutar contra detalhes que não merecem atenção, seja exatamente isso: inteligente.
Para você que já virou Ovelha Negra, uma estratégia funcional nestas circunstâncias e visando contornar a situação, é tentar ficar nem além, nem aquém. Procurar na medida do possível o ponto certo e se manter bem longe dos holofotes.
Deixe-os rirem de você, não se preocupe com isso, não tem como evitá-lo. Dê crédito ao tempo, à ironia do destino. Esteja preparado para surpresas desagradáveis. Fortaleça-se. Não pense em vingança, senão ficará obcecado e não avançará e você precisa andar. Pense em se superar. Aconteça e empregue-se a fundo. Use e abuse da inteligência, da astúcia, bote para fora os seus sonhos, estes albergam sempre coisas boas. Continue. Posicione-se. Anime-se, interaja e integre-se. Lembre que você é um ser social.
Aprofundando um pouco mais neste assunto e seguindo as linhas de convergência do tema que nos ocupa, saliento que o espírito de coletivo, de grupo, não se impõe. Nem todos sabem trabalhar em equipe.
O trabalho em conjunto não pode estar fundamentado em bases espontâneas, precisa de concentração, dedicação, de uma mão sábia e experiente, a propósito, que seja assim e não que acredite ser.
Para trabalhar em equipe, como para tudo nesta vida é necessária ter disposição, querer, interiorizar a vantagem, a importância e a razão deste evento. É por aqui que deve começar a missão de quem organiza e conduz. Pela persuasão, pelo convencimento. Não pela imposição e muito menos pela eliminação ou decantação de capital humano.
Anos dirigindo equipes não necessariamente significa que você seja um campeão em matéria de liderança e gestão de pessoas. Seres humanos são complexos e diversos. Exemplos para corroborar o anterior sobram. Esportistas de alto rendimento nem sempre costumam ter um desempenho excelente. Artistas ensaiam até ficarem extenuados, exaustos e nem todos chegam até a categoria de virtuosos. Ser um eterno dirigente, não necessariamente implica que você seja bom na atividade. Exemplos sobram. Tudo pode ser muito circunstancial. Esqueceram de Gulliver e os liliputenses? Raciocinem, pensem e cheguem a uma conclusão.
Pode existir um enorme abismo entre o que se é, o que se acredita ser e como você e visto e avaliado pelos outros. As opiniões podem ser intermináveis e os critérios extremos, diametralmente opostos sobre a tua pessoa e desempenho, sendo você o mesmo e único. Isto depende em grande medida do grau de informação e de conhecimentos que se tenha sobre o determinado indivíduo e suas atividades.
Quando não se têm elementos suficientes, o mais aconselhável é não julgar, já que podemos estar sendo injustos com o próximo. Documente-se e pergunte antes de avaliar.
Todos estamos sujeitos à avaliações.
Todos estamos sempre sendo observados.
Se o resultado não for o esperado, o desejado, não fique dissuadido, nem desapontado. A vida, dentre outras coisas, não é mais que uma seqüência de aprendizados e a luta só acaba no último dia e este felizmente ainda não chegou.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Não basta!

Há pouco mais de 20 anos, a Venezuela lançou ao mercado fonográfico latino-americano uma leva de cantores com nomes “importados”, descendentes diretos de italianos e outras nacionalidades, que se impuseram pela riqueza do estilo, a novidade da força interpretativa e a qualidade indiscutível dos textos e a sonoridade.

Hoje me lembro de um deles, talvez o melhor sucedido no universo exclusivo da balada rock, romântica e que tem ultrapassado as barreiras do tempo: o Franco de Vita.

Conseguiu emplacar muitos sucessos no âmbito da canção em hispano-américa e fora das fronteiras deste contexto, mas uma das mais singulares composições e de uma eterna atualidade a constitui “No basta”, que ao meu entender, de maneira simples, é uma aula de formação tanto para filhos como para pais e como de uma forma ou outra, todos somos filhos, isto lhe garantiu tamanha aceitação.

Acredito que será de utilidade para todos e para aqueles que já a conhecem, com certeza lhes trará lembranças de um tempo velho, mas que até hoje, é solicitada e obrigatória em todas as apresentações deste intérprete.

Há passagens na música, que só depois que cresci e sai do meu país, consegui entender, como aquela alusão ao filho ter encontrado na esquina, o que havia: seguramente porcaria. Eu que morava num mundo livre de drogas, nunca imaginei que nos "corners" de todas as grandes cidades do mundo, além de comércios institucionais haveria outros esquemas de compra-venda-morte.

É uma pena que aquele sistema onde tive a sorte de me formar, não teve a perspicácia suficiente para conjugar estas dádivas com outros recursos que foram negligenciados e para os quais não era necessário sacrificar tudo o que foi atirado ao fogo, quando sem se afastar dos princípios da luta contra o império, teria sido possível oferecer uma vida mais digna e prazerosa a todos nós, que viveremos só uma vez, que temos só uma efêmera vida.

Hoje restou só pena e a esquina da minha antiga casa, ficou tão igual como a de todas as outras cidades do mundo. Mesmo assim eu continuo afirmando que construiremos um grande país porque de fato somos uma grande nação.

Postarei a letra original em espanhol e o link para o vídeo. Imagino que a compreensão para os que falam e pensam em português, não terá grandes dificuldades. É bom que treinem as habilidades de entender e se comunicar em línguas próximas.

Quanto mais despreparadas e incultas são as pessoas, mas bloqueios apresentam perante sotaques e inflexões diferentes.

Ai lhes vá. Eu também acho que não é ...

No Basta
traerlos al mundo porque es obligatorio
porque son la base del matrimonio
o porque te equivocaste en la cuenta.
 
No basta con llevarlos a la escuela a que aprendan
porque la vida cada vez es mas dura
ser lo que tu padre no pudo ser.
 
No basta que de afecto tú le has dado bien poco
todo por culpa del maldito trabajo y del tiempo.
 
No basta
porque cuando quiso hablar de un problema
tú le dijiste niño será mañana es muy tarde, estoy cansado.

No basta
comprarle todo lo que quiso comprarse
el auto nuevo antes de graduarse
que viviera lo que tú no has vivido.
 
No basta con creerse un padre excelente
porque eso te dice la gente
a tus hijos nunca les falta nada.
 
No basta
porque cuando quiso hablarte de sexo
se te subieron los colores al rostro y te fuiste.
 
No basta porque de haber tenido un problema
lo habría resuelto comprando en la esquina
lo que había, ciertamente porquería.

No basta con comprarle curiosos objetos,
no basta cuando lo que necesita es afecto
aprender a dar valor a las cosas
porque tú no le serás eterno.

No basta castigarlo por haber llegado tarde
si no has caído ya tu chico es un hombre
ahora más alto y más fuerte que tú, que tú. 


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A alegria está de luto.

O mundo ficou mais triste.

O mundo está menos alegre.

Ao menos para mim e para todos os que conhecemos a Ricardo Roberto, que infelizmente nos deixou no dia 09 de Dezembro de 2010.

Ele era o palhaço perfeito, o clown inato, mas sem disfarces, de cara limpa nos recebia e o mundo ao seu redor ria.

Eu falei: sem disfarces, mas errei, ele carregava um oculto e pesado traje, uma horrível máscara, que ninguém via, ninguém percebia, uma espécie de agonia, de pesar, que o fez se suicidar.

Reparei que lá no velório, no enterro ele conseguiu enforcar também o sorriso de todos os que fomos a assistir o seu último show. Ninguém teria imaginado que seria tão doloroso e inacreditável.

Eu fui, eu estive lá, mas não te vi. Queria te lembrar como te conheci, mesmo que inevitavelmente na tua última apresentação não ri, senão chorei.

Alguns tentarão botar a culpa nas drogas.

Outros já responsabilizaram ao excesso de cobranças e o acúmulo de problemas a resolver.

Eu digo que foi a vida, aquela que se torna maravilhosa para uma parte dos mortais e cruel e insuportável para outra.

Eu procuro outra resposta. Acredito tê-la achado, mas aceitá-la nos custa.

A vida e sua inseparável contrapartida: a morte.

É inevitável, é anunciada assim que se nasce, é o fim de tudo e de todos, sabemos que um dia chegará, mas não estamos preparados para aceitar a perda de seres queridos.

Eu conheço muito bem essa dor e não gostaria de ter mais aulas de aperfeiçoamento.

Já se fala de depressão,
De esquizofrenia repentina.

Eu falo da Dor.
Da Dor de não tê-lo mais entre nós,
De não entender o que aconteceu,
De não podê-lo ajudar,
De não ter podido eternizar o teu sorriso,
De perder a gargalhada em forma de voz.


Que Deus proteja a todas as pessoas que amo!

Ele está com você, eu sei, eu o vi quando te pegou da mão e disse: Vem comigo alegrar o paraíso, estamos precisando de alegria.

Amigo: Vai fazer muita falta por aqui, mesmo que desde já sabemos que te encontraremos em cada sorriso.

Que ironia!: Você que nos encheu tanto a alma com as tuas palavras, com a tua alegria, com a tua companhia e imagino o quão só você estava quando decidiu partir.

Tristeza! Não há consolo.

Será possível fazer alguma coisa para te trazer de volta?

Será que você tem noção do vazio que nos deixou?

Eterno abraço para você.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Artigo: Profissionais e S.O.

Este artigo surgiu da confluência de ideias e interesses.

Tive a sorte que um grande amigo, uma pessoa com a qual sempre me sentirei em dívida e a qual me ata uma estela de gratidão, me dera a pauta para escrevermos sobre o tema.

Esboçamos algumas considerações, chegamos a um consenso e eis aqui o resultado.

Foi feito por nós, mas eu orgulhosamente, o dedico a você.

Obrigado pelo convite, pela iniciativa, pela tua sempre bem-vinda ajuda.

E não é que tem pessoas que se comportam que nem Sistemas Operacionais ruins?

https://www.webartigos.com/artigos/profissionais-e-s-o/53149

S.O. não tem relação alguma com as conhecidas siglas S.O.S que sinalizam para socorro e pedido de auxílio. No nosso caso serviriam só para socorrer aos profissionais estilo Sistema Operacional (S.O.), que é uma categoria que abarrota o mercado e cujo comportamento tem muitas semelhanças com especificamente o sistema Windows, se exaltarmos o que de pior tem para nos oferecer.

Mas antes de adentrarmos no assunto, queremos submeter à consideração dos leitores, alguns questionamentos sobre este universo moderno dos profissionais e os diferentes procedimentos de escolha e seleção.

O termo profissional é mais um dos vocábulos que tem sofrido um tratamento abusivo e exagerado na atualidade e sua interpretação varia com o gênero, por exemplo, homem profissional = profissional de gabarito, mulher profissional = prostituta.

A procura das organizações deveria não só se reduzir a este elemento. É mais aconselhável, no lugar de procurar por bons profissionais, captar pessoas devidamente tituladas, mas que acima de tudo sejam boas pessoas e com um bom desempenho nas funções que exercem.

Boas pessoas agregam e estimulam as boas práticas e a coesão, por outro lado pessoas boas(zinhas) para os outros, menos para a empresa acabam com o lucro da corporação.

Para um ávido entrevistador, bastariam alguns minutos, algumas respostas e observar certos comportamentos para discernir a essência do interlocutor, a não ser que estejamos na presença de um ser em extremo bipolar e dissimulado.

Algumas práticas em entrevistas são extremamente úteis para detectar um profissional de "mão cheia", por exemplo, faça uma pergunta de assunto incabível e verifique em que domínio a resposta vai cair. Uma resposta prudente seria: "não sei, preciso estudar o assunto". A maioria dos candidatos do perfil S.O. irá aflorar seus aspectos de criatividade ou mentira ou até mesmo falta de política e indignação com o teste, ficando inadmissível a falta de "provável conhecimento". 

Os testes também poderiam conter, no lugar de "pegadinhas sem graça", - aliás, isto é pleonasmo-, perguntas que não conduzem a nada, sem propósito algum, para evitar que "expertos" candidatos tentem descobrir a tônica e seqüência lógica dos objetivos perseguidos na contratação.

Outro bom teste em dinâmica de grupo é colocar fogo na lixeira do escritório. Aquele participante que tentar apagá-lo seria presumivelmente um bom profissional, o resto sairia correndo e gritando. 

Com certeza, a melhor forma de se conhecer uma pessoa é numa situação de crise, em circunstâncias extremas ou pelo menos, fora da normalidade. 

Tome muito cuidado com o perfil de apresentação do profissional, pois em ocasiões, fatalmente, ele irá se tornar a visão que o mercado tem de sua corporação. 

Não podemos desvincular o profissional do indivíduo com seus defeitos e virtudes, com seus problemas, que num determinado momento poderão influenciar na execução das funções laborais, pese a todo um mecanismo complicado de controle e de auto-policiamento. 

Deixar os seus problemas de lado, não significa engavetá-los por um período determinado num escaninho e fazer de conta que nada está acontecendo. Isso não funciona. Uma boa gestão de pessoas, que valorize o capital humano e o potencial dos colaboradores, seria a via idônea para podermos gerir a nossa rotina e obtermos os melhores dividendos.

Qual a confiança e segurança que nos passaria uma excelente psicóloga, se na escola dos seus filhos é constantemente chamada pelo mau comportamento destes, com evidências de deficiências na estrutura familiar?

Pessoas virtuosas imprimem virtude ao que fazem. Mas, pessoas com problemas da alma, transferem inevitavelmente para suas atividades profissionais, negatividade. Somos humanos com limitações, vulnerabilidades e com capacidade de estragar um ambiente, da mesma forma que uma maçã podre afeta todas as outras, ao seu redor.

Más pessoas não têm por que ser afastadas e discriminadas, senão tratadas e corrigidas. Se o diagnóstico não for precoce, eles acabam com sua organização. A pressão do coletivo, a cultura da organização, a não aceitação da impunidade farão com que o indivíduo aprenda a se conduzir, assimilará que tem desvios e que precisa trabalhar em cima deles. 

Com um diagnóstico precoce o resultado é razoável, porém não isento de efeitos colaterais. O tratamento é semelhante ao do câncer por quimioterapia, ou seja, envenena-se a corporação, na esperança de que as más pessoas sejam eliminadas, levando junto outras boas pessoas (fato não desejado e incontrolável). Em muitos casos as más pessoas são resistentes ao veneno e a corporação inteira pode padecer. Dependendo da importância do órgão afetado, que se não for vital, deve ser extirpado por inteiro da organização, "terceirizado" ou finalmente extinto.

Esta é a razão pela que muitas vezes as pessoas recusam-se ou têm receios de trabalhar em certas empresas, porque a cultura da mesma, imposta pelo comportamento e práticas dos seus integrantes, está por cima de missões, visões e tudo aquilo que aparece espalhado em tudo quanto é propaganda e panfleto nos corredores e na mídia também. Os vícios, a falta de ética, a falsidade, etc., são flagelos a descobrir mais tarde, quando já se faz parte do "bolo" e prestes a se converter provavelmente numa maçã podre.

Somos seres sociais. Pessoas que não sabem se relacionar, com dificuldades de interagir, de ouvirem críticas, sugestões e que não conseguem lidar com situações extremas ou de desconforto, por exemplo, profissionalmente podem até ser uma solução, dependendo dos fins perseguidos, mas com certeza, socialmente constituem um grande problema. 

As organizações exigem e precisam de interações, harmonia, transparência e bons ambientes para progredirem. Está demonstrado o efeito positivo destes detalhes, no avanço e sustentabilidade das empresas.

Por enquanto, poucas habilidades humanas não podem ser automatizadas como, por exemplo, a sociabilidade e a criatividade. O primeiro passo é fazer com que todos os atendentes respondam da mesma forma e se pegar, troca-se por computadores. Os clientes de algumas prestadoras de serviço, que o digam: "Olá, eu sou sua atendente virtual, fale o motivo de sua reclamação"...

Entrando no tema do profissional estilo W(Ru)indows, esboçaremos algumas situações que nos levaram a catalogar a certos indivíduos como membros desta "elite":

- Ele pode ser "maravilhoso" na aparência o que nos faz inclinarmos na hora da escolha, mas este mesmo visual que nos cativou, muda freqüentemente e nem sempre é do nosso agrado;

- Inevitavelmente a sua aplicabilidade é limitada e fica obsoleto, no máximo, em dois anos. Não pode ser realocado para outra sala porque fica incompatível, não aceita outras tarefas já que precisa de upgrade;

- Quando pára de trabalhar tem que "desligar" e no caso destes sujeitos, desligam tanto que saem da empresa;

- Você pede uma coisa, você espera dele uma reação acorde com o pedido, mas com freqüência, ele acha que você quer outra coisa e o executa de maneira errada;

- Tem que atualizar todos os dias, ou seja, levado ao mundo destes personagens, todos os dias tem que chamar a atenção por algum motivo, atualizá-los para que consigam desempenhar de forma aceitável suas funções;

- Existe em diversas versões, a versão Starter é o estagiário que finalmente não faz nada, (refiro-me a alguns, a muitos, geralmente), a versão Home é barata, mas só serve para trabalhar em casa e a versão Professional é muito cara e não tem ética;

- Adora entrar em modo SLEEP, é só virar as costas, que ... É preguiçoso por natureza;

- Você manda executar uma tarefa, ele leva um tempão, para depois relatar que encontrou um problema e não pode continuar. Aí, você manda um relatório para o chefe do funcionário e não adianta nada, é todo um derradeiro de justificativas sem explicações e concordâncias, que acabam por elevar o nível do teu xingômetro;

- Tudo que você pede para fazer ele quer confirmação "tem certeza?", até para as ações mais óbvias e triviais;

- É cheio de recursos, porém você só usa as ofertas dos outros: "Vem com o IEXPLORER, mas funciona melhor com o FIREFOX", ou seja, tudo aquilo que ele prometeu, toda aquela bagagem, serviu só como anúncio, sem utilidade prática alguma;

- Diversas vezes para ele fica todo azul, tudo em paz, azul da cor do mar e não faz mais nada, colocando a culpa em um monte de interrupções que não estava esperando, e ninguém descobre quê interrupções são essas. 

- É cheio de vulnerabilidades, freqüentemente libera todas as informações para todos de dentro e fora da empresa, vira um fofoqueiro de primeira, de comportamento inconseqüente e incoerente;

- Se passar mais de uma tarefa fica extremamente lento;

- Tem a capacidade de sem mais nem menos, acabar com todo o teu trabalho e o dos outros;

- Tem que inspecionar todo dia, senão ele pega um vírus e fica doente e depois é só pagar pela negligência;

- É o motivo número um da falta de atendimento: "Senhor infelizmente o meu sistema está fora do ar";

- Não trabalha sem ajuda, se pára de trabalhar a culpa é do servidor...;

- Adora "DELL´s"

Como será o futuro que está nos umbrais, como bem diria o Rey? O quê nos espera amanhã? 

Homens trabalhando como máquinas, ou máquinas tentando trabalhar melhor do que homens? 

Apesar de nossa tentativa em mostrar quão parecidas com humanos ou cheias de erros as máquinas podem ser, elas se tornam "sociáveis" ao conseguirem conversar com centenas de outras ao mesmo tempo, ao passo em que nós, meros seres humanos e criadores destas, só conseguimos proceder ao tratamento de uma comunicação de cada vez. 

Nossa grande vantagem é que, por enquanto, as máquinas por mais que conversem entre si são incapazes de processar as críticas, mas a Inteligência Artificial as ajudará a inferir conhecimento, ainda que seja difícil imaginar um programa tentando aprender a partir de "SPAMS de críticas e ensinamentos".

Para nossa felicidade, a maioria de nós temos uma rotina com opções de questionamentos, que nos permitem verificar se estamos no melhor caminho, com condições de alterá-lo de forma certa ou errada, o que é muito relativo, pois não devemos considerar como saudáveis aos indivíduos perfeitamente adaptados a uma sociedade insana. 

Por fortuna, na maioria das organizações podemos contar com uma proporção mais positiva de bons colaboradores e que se tiverem alguma semelhança com o comportamento de Sistemas Operacionais, com certeza seria com aqueles que têm melhor desempenho ou até com os ruins, nos seus melhores momentos, com suas melhores características. 

Nada é absoluto. Sistemas operacionais e profissionais imperfeitos têm seus aspectos positivos também.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um dos meus Amigos. (2)

Eu tenho um grande amigo, que é muito religioso e, porém faz questão da fidelidade no amor e outras coisas, que para uma parte considerável dos mortais, em pleno século XXI não teriam o menor cabimento, mesmo que tem se desatado alguns modismos ou velhos costumes, como a volta ao culto da virgindade, em culturas e sociedades que estavam no caminho da libertação e da abolição destes “valores”, tanto masculina como feminina.

Demais está dizer que ao igual que por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz, logicamente por trás de um homem com as características que apontei, não poderia faltar uma namorada, noiva ou esposa brava, possessiva, mandona, ciumenta, consentida, inflexível, controladora, dominadora, manipuladora e …perdi o hálito!

Com certeza elas nem cogitam a possibilidade da traição dos seus companheiros, que são cuidadosamente treinados. Se imaginarem que você olhou para outra garota, você tem grandes chances de perder a visão e se suspeitarem que a tua genitália esteja sendo usada para alguma outra função fora das necessidades fisiológicas vitais, (esclarecendo para os saidinhos: sexo fora de casa não é considerado necessidade fisiológica vital, senão safadeza) a probabilidade de perder o que para nós homens constitui o cérebro e a razão de sermos, faz estes colegas se manterem imaculados. Parabéns para eles!

Certo dia conversando (zoando) meu amigo, perguntei o que ele faria, se tiver que se submeter a um período prolongado de abstinência sexual, imposta não por vontade própria senão por questões alheias a vontade da gente e depois aparecesse uma moça com atributos fartos, que nem a Mulher Melancia, se oferecendo para ele.

Caso algum fato se consumasse ficaria no mais absoluto sigilo.

O meu amigo ficou em silêncio por alguns instantes e sorrindo para mim, balançando a cabeça como dizendo, você não vai acreditar no que estou pensando. Eu pensei: peguei no talão de Aquiles e finalmente me respondeu.

- Eu diria para essa pessoa: “Minha filha, sai da minha frente que você está obesa, e no mínimo para mim, essa tua melancia está podre!”

Depois daquele dia compreendi que o meu amigo é de lei, que não está de brincadeiras.

Grande abraço para você, que seja muito feliz e sinceramente admiro tua tenacidade e fidelidade às tuas convicções.

Vai em frente e continua contando comigo!